segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Nota de rectificação

«Há mais exemplos de precocidade: no dia 1 de Fevereiro de 2013, o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, decidiu contratar Tiago Ramalho, com 21 anos de idade, e João Leal, de 22 anos, como técnicos especialistas. Segundo o respectivo despacho de nomeação, para exercerem “as funções de acompanhamento da execução de medidas do memorando conjunto com a União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, na ESAME” (Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos).
 
Tiago Ramalho concluiu em 2012 a Licenciatura em Economia na Universidade Nova de Lisboa (ciclo de 3 anos lectivos, pós-Bolonha). Na nota curricular divulgada através do despacho de nomeação, a experiência profissional de Tiago Ramalho cinge-se à realização de um estágio profissional não remunerado no Gabinete de Estratégia e Estudos do MEE, com a duração de quatro meses (entre Setembro e Dezembro de 2012). Não consta do currículo, mas Tiago Ramalho integra a Comissão Política da JSD de Almada, enquanto “membro da área de comunicação e imagem”.»
 
[in "Os Privilegiados", "Capítulo IV - A colonização dos cargos dirigentes"].
 
[...]
 
Tiago Ramalho, nomeado aos 22 anos de idade para exercer funções - como técnico superior - no gabinete do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, frequentou a Escola Secundária Daniel Sampaio, em Almada, cidade onde vive. Em 2009 participou activamente na campanha eleitoral do PSD para as Eleições Legislativas, integrando a lista de colaboradores de um "blog" de apoio ao partido, intitulado "Jamais". Mais recentemente, no dia 14 de Maio de 2011 (a 21 dias da realização das Eleições Legislativas de 5 de Junho de 2011), Tiago Ramalho expressou publicamente o seu apoio ao PSD e a Pedro Passos Coelho, através de um texto ("I go first") publicado noutro "blog" colectivo ("A douta ignorância"), a partir do qual se transcreve a seguinte passagem:

«Não há, no PSD, quem diga que quer Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. Ou se há, não se faz ouvir. O que se ouve é que não podemos ter mais Sócrates. O voto pedido é um voto contra um homem. E a circunstância vitimiza-o. No limite, valoriza-o. Afinal, se o melhor que os adversários têm a dizer é que não o querem a ele, então algo de bom ele há-de ter.

Muito bem. Eu não quero José Sócrates, mas, mais do que isso, quero um regresso do centro-direita ao governo em Portugal. Um centro-direita que, tendo assistido durante quase vinte ao afundar de uma economia num pântano que se regenera ciclicamente, pode e deve trazer um programa diferente. E haja ou não coligação, o facto é que o primeiro-ministro só pode ser um: Pedro Passos Coelho. E já que todos o dizem sem o dizer, eu vou primeiro: eu vou votar no PSD nestas eleições.»
 
[...]

No âmbito da investigação para o livro "Os Privilegiados", para além de todos estes dados, identifiquei a existência de um Tiago Ramalho na Comissão Política da JSD de Almada, enquanto "membro da área de comunicação e imagem". Mais, contactei uma fonte ligada à JSD que confirmou que se tratava do mesmo Tiago Ramalho que havia sido nomeado para o Gabinete do secretário de Estado Carlos Moedas. Daí a referência no texto à ligação entre Tiago Ramalho e a JSD de Almada.

Contudo, Tiago Ramalho (o nomeado) contactou-me recentemente, desmentindo a ligação à JSD de Almada. «Não sou membro de nenhuma estrutura partidária, há um equívoco com os nomes», assegurou. Ou seja, há um outro Tiago Ramalho que integra, de facto, a Comissão Política da JSD de Almada, mas não se trata do mesmo Tiago Ramalho que foi nomeado por Carlos Moedas. Apesar de todos os dados, indícios, confirmações, neste caso específico o texto do livro contém um erro factual: Tiago Ramalho (o nomeado) não pertence à JSD de Almada. Apresento por isso as minhas desculpas aos leitores e ao visado.

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